A Origem
O filme é tão bom que me obriga a colocar minhas idéias no papel, ok ok, no Blog… e se você ainda não viu este filme, pare de ler AGORA e vá correndo para o cinema (de preferência um IMAX) e faça um favor a você mesmo(a) e vá assistir o filme imediatamente.
Estéticamente o filme é perfeito, com ótimos efeitos visuais e principalmente sonoros. O filme segue a linha de um filme de assalto, onde o maior vilão do filme são as dificuldades encontradas no percurso e não estão personificadas em um personagem específico e nessa linha o roteiro é genial, pois ao invés de roubar, o objetivo é “guardar” uma idéia na mente de uma pessoa.
Mas vamos ao que interessa e me motivou a escrever o post…. O final do filme dá margem a duas interpretações básicas:
1 – Cobb acorda na realidade e volta para seus filhos.
2 – Cobb ainda está em um sonho.
Estas alternativas, criadas com o final abrupto antes de sabermos se o pião cai ou não, é que faz a graça, pois o filme não acaba com o fim da projeção… Voçe é compelido a discutir com alguém a sua interpretação do filme, tem que gastar fosfato para ter a experiência completa.
Na minha humilde opinião, o filme inteiro se passa dentro de um sonho, o sonho deste Sr.:
Miles é o único que poderia colocar Cobb para dormir para fazê-lo se perdoar e voltar aos filhos após a morte da Mal. Além dele a única pessoa que sabia disso é a Ariadne…
Acredito que Miles criou este mundo de Mega-corporações onde Cobb é um fugitivo da Justiça (Que na minha opinião é a sua culpa e as suas defesas do sub-consciente) para dar-lhe a coisa mais poderosa da mente humana: UM PROPÓSITO!!!
Na realidade (que não é mostrada no filme), o Cobb deve estar arrasado com o ocorrido e com a mente sériamente comprometida, não tendo forças ou lembranças reais dos filhos. Com isso Miles cria uma situação onde ele conhece Saito e é contratado para realizar um implante na mente de outra pessoa.
Interessante notar como Saito parece saber que Cobb já tinha realizado isso antes e se propõe a pagar na única moeda que ele aceitaria: Um propósito.
O filme nos faz acreditar que Cobb é o extrator e Ficher o alvo, quando na verdade Cobb é o alvo de Miles e Ariadne é a verdadeira extratora com a missão dupla de extrair de Cobb como tudo ocorreu (Sua confissão no final) e implantar a idéia de que ele ele deve continuar a sua vida e voltar para os filhos… Isso explica Ariadne aceitar muito facilmente um trabalho que é oferecido a ela como ilegal e, depois, perigoso e ser a única que se preocupa com Cobb com a desculpa de que é para o bem da equipe, além de estar sempre com ele nos momentos chave, inclusive se infiltrando no time dele sem que ele planejasse o isso (Assim como Saito).
Um ponto que me chamou a atenção foi o fato de Saito aparecer magicamente na África, para livra-lo de suas próprias defesas. Isso ocorre, pois Cobb atrela Saito ao seu propósito e baixa a guarda (Como Cobb fez com Fisher no hotel)
A trama de Fisher é feita para que Cobb seja levado ao seu nível mais profundo para que Ariadne possa coloca-lo em condiçoes de enfrentar sua sombra e quando ela a mata, está dando a Cobb uma catarse na despedida. Neste momento ele explica que a raiva não era justificada, pois eles tiveram uma vida interia juntos podendo seguir em paz cada um o seu caminho…
Interessante que Ariadne diz a todos que Cobb está bem após a queda da van, enquanto ele ainda está no Limbo (Sabia que a idéia da redenção foi plantada)
É ai que a busca por Saito no limbo se mostra a parte final do plano de Miles para que Cobb acredite que tudo irá ficar bem e que ele pode ver seus filhos novamente, lembrando-o de seu propósito de sair do limbo após se libertar da Mal.
Neste momento Miles esta convenientemente esperando por ele na alfândega do aeroporto e as crianças estão praticamente com as mesmas roupas e posição. Isso se explica, pois aquela era a última visão que Cobb tinha dos filhos antes de “dormir” para entrar no sonho de Miles e que agora ele iria realmente se preparar para acordar deste grande sonho.
Outro ponto genial do filme é perceber que a música utilizada para o “Kick” é: "Non, Je Ne Regrette Rien" que significa "Não, não me arrependo de nada" e resume bem a catarse de Cobb foi utilizada na trilha sonora do filme o tempo todo dentro do paradigma imposto pelo roteiro de que, quanto mais profundo o sonho, o tempo – e a música – desaceleram:
Quanto ao pião, lembrem-se que o totem deve ser pessoal e ninguém deve toca-lo, mas o totem de Cobb era da Mal e portanto ele não “funcionaria” adequadamente e ele nunca teria a certeza de que está realmente acordado, além disso, o totem foi tocado e girado por Saito no limbo antes da cena final.
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